Um hábito aparentemente simples, que é o respirar pela boca, pode impactar no desenvolvimento facial de crianças e adolescentes. O alerta é do otorrinolaringologista Thiago Brunelli, do hospital Santa Casa de Mauá, que chama atenção para os efeitos que a respiração bucal pode provocar ao longo do crescimento.
O especialista explica que durante a infância e a adolescência, os ossos da face ainda estão em formação e são influenciados por diversos fatores, como a forma de entrada do ar no organismo. “A respiração nasal é a forma fisiológica correta. Quando respiramos pelo nariz, a língua permanece apoiada no céu da boca, os lábios ficam fechados e a musculatura facial se mantém equilibrada, favorecendo um desenvolvimento harmônico da face”.
Quando a respiração ocorre predominantemente pela boca, seja por obstruções nasais ou por hábito, esse equilíbrio pode se alterar. Entre as causas mais comuns estão a rinite alérgica, aumento das adenoides, desvio de septo e episódios de congestão nasal. Nessas situações, a posição da língua tende a ficar mais baixa dentro da cavidade oral, o que pode influenciar o crescimento do palato (céu da boca) e o alinhamento das estruturas da face.
“Com o passar do tempo, a criança pode desenvolver um padrão facial mais alongado, com lábios entreabertos mesmo em repouso, olheiras frequentes e alterações na arcada dentária”, afirma o médico. Essa condição também traz alterações na mordida, desalinhamento dos dentes e até mudanças na postura corporal, como a projeção da cabeça para frente para facilitar a passagem do ar.
Além das alterações estruturais, a respiração bucal traz impactos para outras áreas da saúde, já que o nariz exerce funções importantes de proteção do organismo. “O nariz filtra, aquece e umidifica o ar antes que ele chegue aos pulmões. Quando a respiração acontece pela boca, parte desse mecanismo de defesa é perdida”, explica Brunelli.
Como consequência, crianças e adolescentes podem apresentar sintomas como sono agitado, ronco, boca seca ao acordar, maior predisposição a cáries, irritação na garganta e sensação de cansaço ao longo do dia.
Nos adultos, a estrutura óssea da face já está consolidada, o que reduz a possibilidade de alterações no formato do rosto. Ainda assim, o hábito de respirar pela boca pode trazer prejuízos, principalmente relacionados à qualidade do sono. Mesmo na fase adulta, a respiração bucal pode estar associada a ronco, sono pouco reparador e fadiga frequente. Por isso, é importante investigar a causa.
A recomendação é observar se as crianças dormem de boca aberta, roncam frequentemente, apresentam dificuldade para respirar pelo nariz ou mantêm os lábios entreabertos durante o dia. Quanto antes a causa da respiração bucal for diagnosticada, maiores são as chances de evitar impactos no desenvolvimento facial e na qualidade de vida.
O Hospital Santa Casa de Mauá está localizado na Avenida Dom José Gaspar, 1374 – Vila Assis – Mauá – fone (11) 2198-8300. https://santacasamaua.org.br/ .
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23/3/2026







