O número de pessoas que sofrem com a caspa aumenta com a queda das temperaturas. Embora muitas vezes seja encarada apenas como um problema estético, a descamação persistente do couro cabeludo pode estar relacionada a processos inflamatórios que exigem avaliação médica e, em alguns casos, pode até indicar outras doenças dermatológicas.
Estima-se que metade da população adulta apresenta caspa em algum momento da vida, enquanto a dermatite seborreica – forma mais intensa e inflamatória – afeta entre 3% e 5% das pessoas. O inverno, por reunir uma combinação de fatores que favorecem o ressecamento e o desequilíbrio da pele, costuma intensificar os sintomas.
Segundo o dermatologista Antonio Lui, da Santa Casa de Mauá, o frio altera o equilíbrio natural do couro cabeludo e cria um ambiente propício para o agravamento do quadro. “Durante o inverno, é comum as pessoas tomar banhos mais quentes e prolongados, utilizar secador de cabelo com maior frequência e permanecer mais tempo em ambientes fechados e com baixa umidade do ar. Esses hábitos comprometem a barreira de proteção da pele e favorecem o aumento da inflamação e da descamação em pessoas predispostas”, explica.
A caspa está relacionada a uma resposta inflamatória do organismo diante da presença do fungo Malassezia, um microrganismo que faz parte da microbiota natural da pele. Esse fungo está presente no couro cabeludo da maioria das pessoas e, sozinho, não representa um problema. O que acontece é que algumas pessoas desenvolvem uma resposta inflamatória exagerada, desencadeando sintomas como descamação, coceira, vermelhidão e aumento da oleosidade.
Além das alterações climáticas, fatores como predisposição genética, estresse, alterações hormonais, noites mal dormidas, baixa imunidade e algumas doenças neurológicas também podem favorecer o aparecimento ou o agravamento da caspa e da dermatite seborreica.
As pequenas escamas brancas nos cabelos é a manifestação mais conhecida, mas nem toda descamação do couro cabeludo corresponde à caspa. “Existem doenças que apresentam sintomas semelhantes e precisam ser diferenciadas durante a consulta médica. Psoríase, dermatite atópica, dermatite de contato provocada por cosméticos, algumas micoses e até doenças autoimunes podem causar descamação e coceira. Vale lembrar também que as placas brancas podem surgir em outras regiões com pelos, como as sobrancelhas, a barba, o bigode, região pubiana e tórax”, afirma Antonio Lui.
Se o quadro persistir por várias semanas, não melhorar com shampoos específicos ou estiver acompanhado de feridas, dor, secreção ou queda importante de cabelo, a recomendação é procurar um dermatologista para investigação.
O tratamento deve ser individualizado e precisa considerar a intensidade dos sintomas e as características de cada um. Os shampoos medicamentosos são a primeira opção de tratamento, além dos que contém ativos antifúngicos e medicamentos tópicos para controlar a inflamação. Já em casos mais persistentes, o dermatologista pode indicar medicamentos de uso oral ou terapias combinadas.
“O mais importante é identificar a causa da descamação. Muitas pessoas convivem por anos com o problema porque acreditam que a caspa faz parte da rotina ou tentam resolver trocando de xampu. Quando existe um diagnóstico adequado, é possível controlar os sintomas e reduzir as crises”, ressalta o médico.
Um mito comum é acreditar que a caspa esteja relacionada à falta de higiene. Mas ela não é causada por sujeira e não é contagiosa. O que realmente faz diferença é manter o couro cabeludo saudável.
Nos dias mais frios, a orientação é evitar banhos muito quentes, manter uma rotina adequada de higiene dos cabelos, controlar fatores como estresse e procurar avaliação médica sempre que a descamação vier acompanhada de coceira intensa, inflamação ou outros sintomas persistentes.
O Hospital Santa Casa de Mauá está localizado na Avenida Dom José Gaspar, 1.374 – Vila Assis – Mauá – telefone (11) 2198-8300. https://santacasamaua.org.br/
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10/7/2026







