O cloro é indispensável para manter a água das piscinas própria para uso, eliminando bactérias, vírus e fungos. No entanto, quando utilizado em excesso ou combinado a fatores como pouca ventilação e acúmulo de matéria orgânica, pode se transformar em um risco à saúde respiratória.
Segundo o pneumologista Valter Eduardo Kusnir, da Santa Casa de Mauá, o problema não está no produto em si, mas na exposição inadequada. “O cloro é fundamental para o tratamento da água. O risco surge quando há superdosagem, ventilação insuficiente ou grande concentração de resíduos orgânicos na piscina”, explica.
Um ponto pouco conhecido é que o contato do cloro com suor, urina e outras substâncias ricas em nitrogênio libera compostos chamados cloraminas e, entre elas está a tricloramina, um gás volátil altamente irritante para olhos e vias respiratórias. Em piscinas cobertas, onde a circulação de ar costuma ser menor, esses gases podem se acumular logo acima da superfície da água, aumentando a inalação pelos usuários.
“Não é apenas o cheiro forte de cloro que incomoda. Muitas vezes, o odor intenso indica a presença dessas cloraminas, formadas pela reação química entre o cloro e resíduos corporais. Esses gases têm potencial irritativo e podem desencadear inflamação das vias aéreas”, esclarece o especialista.
Os sintomas podem surgir rapidamente após a exposição e incluem ardência no nariz e na garganta, tosse persistente, chiado no peito, sensação de aperto torácico, falta de ar, dor de cabeça e irritação ocular. Pessoas com asma, rinite ou doenças pulmonares pré-existentes tendem a apresentar maior sensibilidade.
Em situações mais intensas, como entrar na piscina logo após aplicação excessiva de cloro ou permanecer em ambiente fechado com forte concentração de vapores, pode ocorrer inflamação aguda do trato respiratório inferior. “Em casos graves, a inalação de altas concentrações pode provocar lesão pulmonar e evoluir para pneumonia química, que é uma inflamação causada pela aspiração de substâncias tóxicas. Também pode haver hemoptise, que é a tosse com presença de sangue, sinal de irritação importante do tecido pulmonar”, alerta o pneumologista Valter Eduardo Kusnir.
A pneumonia química é considerada uma condição séria e exige avaliação médica imediata, pois pode comprometer a oxigenação e demandar suporte hospitalar.
O tratamento varia conforme a gravidade. Quadros leves tendem a melhorar com afastamento da exposição e acompanhamento médico. Casos moderados ou graves podem necessitar de broncodilatadores, anti-inflamatórios, oxigenoterapia e monitoramento hospitalar.
Qualquer sintoma respiratório após permanência em ambiente com odor intenso de cloro deve ser avaliado, especialmente se houver falta de ar persistente, dor torácica ou tosse com sangue.
O Hospital Santa Casa de Mauá está localizado na Avenida Dom José Gaspar, 1374 – Vila Assis – Mauá – fone (11) 2198-8300. https://santacasamaua.org.br/
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02/03/2026







